Governança corporativa não é uma estrutura reservada às grandes companhias. À medida que uma empresa cresce, aumenta o número de pessoas envolvidas nas decisões, surgem novas lideranças e a operação se torna mais complexa. Nesse momento, aquilo que funcionava com acordos informais pode deixar de ser suficiente.
Veja: o IBGC define governança corporativa como o sistema de princípios, regras, estruturas e processos pelo qual as organizações são dirigidas e monitoradas, buscando geração de valor sustentável.
Uma consultoria de governança corporativa ajuda a transformar esse conceito em uma estrutura adequada à realidade da empresa. Veja cinco razões para pedir ajuda.
1. Identificar onde a gestão está excessivamente concentrada
Muitas empresas funcionam durante anos com decisões, relacionamentos e conhecimentos importantes concentrados nos fundadores ou em poucos gestores.
O primeiro trabalho de uma consultoria é compreender essa estrutura: quem decide, quais informações circulam, onde existem dependências e quais riscos podem surgir quando uma dessas pessoas não estiver disponível.
Esse diagnóstico permite profissionalizar a gestão sem desconsiderar a história e as características do negócio.
2. Organizar papéis, responsabilidades e decisões
Quem decide sobre estratégia e quem pertence à diretoria? Qual é o papel dos sócios e quando um conselho pode contribuir?
A governança corporativa organiza esses espaços e reduz sobreposições, conflitos e decisões informais. Dependendo da empresa, isso pode envolver definição de alçadas, rotinas de gestão, conselhos consultivos ou de administração, comitês e acordos entre sócios.
A estrutura não precisa ser maior do que o negócio. Precisa ser adequada a ele.
3. Melhorar a qualidade das decisões e a gestão de riscos
Governança também significa garantir que decisões relevantes sejam tomadas com informações, critérios e acompanhamento.
Inclusive, os princípios de governança da OCDE atribuem aos órgãos de administração papel importante na estratégia, nos controles e na supervisão dos riscos da organização.
Uma consultoria pode ajudar a definir indicadores, fluxos de informação e fóruns adequados para que a liderança enxergue problemas e oportunidades com antecedência.
4. Preparar a sucessão e a continuidade
Em empresas familiares, a sucessão é um dos momentos em que a ausência de governança se torna mais visível.
Não basta escolher quem ocupará determinado cargo. É necessário preparar sucessores, transferir conhecimento, desenvolver autonomia, definir critérios para familiares que trabalham na empresa e organizar o novo papel de quem deixa a gestão.
Quanto mais cedo essas definições começam, maior é a possibilidade de conduzir a transição de maneira gradual.
5. Criar uma estrutura capaz de acompanhar o crescimento
A empresa que possui dez funcionários não precisa da mesma governança de uma organização com diferentes unidades, gerações, sócios e executivos.
Por isso, copiar modelos prontos raramente é a melhor solução.
Uma consultoria de governança corporativa ajuda a estabelecer prioridades e construir a estrutura por etapas, acompanhando o amadurecimento do negócio.
Quando contratar uma consultoria de governança corporativa?
Alguns sinais aparecem com frequência:
- decisões excessivamente concentradas,
- crescimento sem revisão da estrutura de gestão,
- entrada de uma nova geração,
- conflitos sobre responsabilidades,
- ausência de sucessores preparados ou
- dificuldade para transformar discussões estratégicas em decisões concretas.
No trabalho que realizo com empresas familiares, a governança é construída a partir da realidade de cada organização. O objetivo não é acrescentar burocracia, mas criar clareza, critérios e estruturas que ajudem a empresa a tomar melhores decisões hoje e permanecer preparada para os próximos ciclos.
Marcia Correa
Conselheira membro do IBGC, Consultora em Gestão e Governança, Palestrante e Fundadora da Metha Consultoria
